Alguns preceitos da invenção e elocução metafóricas de emblemas e empresas

  • João Adolfo Hansen Universidade de São Paulo

Resumen

O texto trata de dois gêneros mortos, emblema e empresa, especificando os preceitos da invenção do corpo (a imagem) e da alma (o discurso) de ambos que são legíveis em obras de Andrea Alciato, Horapolo, Valeriano, Francesco Colonna, Paolo Giovio, Emanuele Tesauro e, principalmente, no “Prólogo” de Iconologia, de Cesare Ripa. Os tratadistas opõem seus gêneros, considerando que são os usos que determinam sua diferença. O emblema sempre é definido como figuração de noções de validade coletiva. Quanto à empresa, figura um propósito heróico particular. No emblema, o mote que encima a alma e o corpo indica que é documento moral de sentido deliberativo ou aconselhamento da ação futura. O emblema também figura casos heróicos, ajuizando-os judicialmente e louvando-os epiditicamente como ações exemplares a serem imitadas por todos. Quanto à empresa, seu uso é individual e aristocrático, devendo ser aguda e equívoca, com a brevidade que obscurece a qualidade do que é figurado. Logo, o emblema sem imagens pintadas permanece emblema, bastando a alma (discurso) para representar publicamente o que se pretende figurar (como ocorre na primeira edição de Emblemata, de Alciato), enquanto a empresa nunca pode dispensar a imagem, pois sem ela o mote fica sem argumento de semelhança.

This text is about two dead genres, emblem and device. It specifies the precepts of the invention of the body (the image) and soul (the discourse) of both emblem and device, found in the works of Andrea Alciato, Horapolo, Valeriano, Francesco Colonna, Paolo Giovio, Emanuele Tesauro and especially in the “Preface” of Cesare Ripa’s Iconología. The writers oppose their genres, considering that it is their usages which determine their differences. The emblem is always defined as the depiction of notions of collective validity, while the device depicts a purpose that is both particular and heroic. In the emblem, the motto that soul and body have, indicates that it is a moral document of deliberative sense or advice about future actions. The emblem also depicts heroic deeds, judging them judicially and praising them epideictically as exemplary actions that should be followed by everybody. As regards the device, its usage is individual and aristocratic. The device must be clever, equivocal and it has to be brief enough in order to darken the traits of what is being depicted. Therefore, without painted images the emblem is still an emblem, given that only the soul (discourse) is needed to publicly represent what is tried to be depicted (as, for instance, in the first edition of Alciato’s Emblemata), while the device can never dispense with the image, given that without the image the device is left with no arguments of similarity.
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Cómo citar
Hansen, J. (2013). Alguns preceitos da invenção e elocução metafóricas de emblemas e empresas. Revista Chilena de Literatura, (85). Consultado de http://www.revistaliteratura.uchile.cl/index.php/RCL/article/view/30184/38908
Publicado
2013-12-04